Sete meses. Esse foi o tempo que 25 famílias que vivem na Chácara Bebê do Chefe, no bairro São Bento, passaram sem energia elétrica. Noites com barulho e picadas de mosquitos, além do calor. Gelo para conservar alimentos. Medo de sair no escuro e a casa ser invadida. Com o fim da negociação entre a Defensoria Pública do Estado de Roraima (DPE-RR) e Âmbar Energia, com apoio do Conselho das Cidades, atos simples como ligar o ventilador ou beber um copo de água gelada, voltaram a ser realidade.
“Agora sim, ventilador, geladeira, água fria. Você pode conservar a carne, você faz uma compra. Antes tínhamos que gastar todos os dias. Mudou tudo para melhor”, disse a moradora Yuriianny Coro.
Ao todo, 97 pessoas vivem na comunidade, a maioria venezuelanos em situação de vulnerabilidade. A DPE-RR já acompanhava a comunidade na defesa possessória das famílias quando recebeu a demanda relacionada à falta de energia. A partir daí, começaram as negociações com a concessionária para viabilizar uma ligação regular para as residências.
Segundo a defensora pública Jeane Xaud, coordenadora do Grupo de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos (GPDH), a opção inicial foi buscar uma solução negociada antes de levar o caso à Justiça.
“Então hoje é um dia de muita felicidade, a Defensoria Pública cumprindo o seu papel institucional de defesa da população vulnerabilizada. Os postes já estão instalados, a luz já é uma realidade”, afirmou.
O presidente do Conselho das Cidades, Ricardo Mattos, que acompanhou as tratativas, relacionou a chegada da energia às condições básicas de vida das famílias. “A energia é necessária para a dignidade das famílias. Não é só questão de conforto, não, é necessidade. As pessoas têm que ter o mínimo, é uma água, é um ventilador. Principalmente num estado como o nosso, numa cidade como a nossa, que é quente, é muito importante”, afirmou.
Para Jeane, insistir na negociação também evitou que as famílias dependessem do tempo de um processo judicial para tentar resolver o problema. “Felizmente conseguimos, depois de muita negociação. Foram aí sete meses, mas ainda assim é melhor que demore uma negociação do que a gente entrar com um processo judicial que a gente não sabe qual é o fim, que a gente não pode prever nem garantir a essas pessoas o fim”, frisou.
Na Chácara Bebê do Chefe, ficar sem energia afetava também o acesso à água. Os moradores utilizam uma bomba elétrica para retirá-la de um poço. Sem eletricidade, tarefas simples da rotina, se tornaram um problema diário.
“Nós tentamos sozinhos, ver se conseguiamos trazer essa energia. Mas nós lutamos tanto, que nós já estávamos sem forças. Foi quando a defensora entrou nessa causa e a energia está aí”, celebrou o morador Raones Dantas.
A mediação também envolveu representantes da Âmbar Energia. Participaram o diretor-presidente Vicente Zuffo; a diretora jurídica e institucional Sarassele Chaves Ribeiro Freire; a especialista jurídica Suanne Malu Paião Ferreira; a gerente do Departamento de Serviços Comerciais, Medição e Fiscalização, Mara Rúbia do Prado Silvano; o gerente do Departamento de Meio Ambiente e Responsabilidade Social, João Roberto do Rosário; e o gerente do Departamento de Engenharia, Lusérgio Sales de Souza.
CCOM/DPE-RR – COORDENAÇÃO DE COMUNICAÇÃO