O guia apresenta seis fases para “vencer” a violência digital, com orientações práticas voltadas à comunidade escolar
O cyberbullying é uma forma de violência que ocorre por meio da internet, redes sociais, aplicativos ou jogos on-line. Embora aconteça no ambiente digital, os impactos para as vítimas são os mesmos do bullying. Diante dessa realidade, a Defensoria Pública do Estado de Roraima (DPE-RR) e o curso de Jornalismo da Universidade Federal de Roraima (UFRR) elaboraram uma cartilha para combater essa forma de intimidação digital.
A cartilha "Game Over Cyberbullying", foi elaborada como projeto de conclusão de curso do jornalista Tiago Côrtes. O material preenche uma lacuna de pesquisas sobre educação midiática e oferece suporte para o enfrentamento de conflitos em ambientes digitais.
“Eu percebi que os materiais que existem são apenas de caráter administrativo. Então, o diferencial da minha cartilha é que eu descrevo um passo a passo de como combater o cyberbullying e situações que são formas de violência. Por exemplo, criar a figurinha de um colega e compartilhar no Whatsapp. Isso pode se tornar uma situação de violência. A cartilha é um passo a passo de como combater o cyberbullying”, afirmou.
O diferencial da cartilha é apresentar ações que podem ser consideradas cyberbullying, mas que muitas vezes são vistas apenas como “brincadeira”. Por isso, a cartilha ‘Game Over Cyberbullying’, com estética inspirada em jogos, indica o fim da zombaria.
Construção da cartilha: A Escola Superior da Defensoria Pública de Roraima (Esdep) ajuda a instituição na missão de promover educação em direitos, e auxiliou na construção do material. Para o coordenador da Esdep, Vilmar Silva, as cartilhas são ferramentas eficazes de conscientização.
“As cartilhas usam uma metodologia lúdica, como foi o caso dessa para alcançar os leitores. Assim, alcança jovens de diversas idades e explica sobre esse assunto tão delicado”, destacou o professor.
A DPE-RR já conta com projetos de combate ao bullying. O Descomplica é uma oficina que leva às escolas públicas o diálogo sobre a construção de ambientes de paz. A psicóloga da Defensoria, Dellyane Torres, que atua no Descomplica, também auxiliou na elaboração da cartilha, no capítulo sobre saúde mental.
“O próprio Descomplica utilizará essa ferramenta para se comunicar com esses jovens. Precisamos promover cada vez mais a saúde mental, bem-estar e acesso a direitos. A cartilha nos ajudará nessa caminhada”, afirmou.
Fases para enfrentar o cyberbullying:
O guia apresenta seis fases para “vencer” a violência digital, com orientações práticas voltadas à comunidade escolar. A primeira etapa propõe diferenciar o bullying do cyberbullying, destacando características como alcance, permanência e anonimato. Em seguida, orienta sobre como reconhecer a intenção de ofender.
A terceira fase trata da identificação de situações que configuram cyberbullying, como exposição vexatória, perseguição e ataques reiterados em ambientes virtuais. O material também aborda estratégias de combate, com a definição do papel do aluno, da família e da escola na prevenção dos casos.
Por fim, o guia traz orientações sobre quando e como denunciar, indicando o acionamento do Conselho Tutelar, do Ministério Público ou da Defensoria Pública diante de violações de direitos.
A cartilha está inserida no campo da comunicação conhecido como educação midiática, que promove o conhecimento crítico para interagir com as redes sociais. A área também destaca o papel do jornalismo na promoção da cidadania digital.