HISTÓRIAS DE DEFENSORA: Jeane Magalhães Xaud é destaque na ANADEP

 
E nessa quinta-feira trazemos a última edição do História de Defensora do ano.
 
Desta vez, nossa conversa foi com Jeane Xaud, defensora pública de Roraima e coordenadora adjunta da Comissão dos Direitos da Mulher da ANADEP e membra da Coletiva de Mulheres Defensoras Públicas do Brasil. 
 
Além de praticar diversos esportes, Jeane também faz aulas de defesa pessoal, que envolve técnicas de krav maga e jiu-jitsu. Segundo ela, a prática das artes marciais trouxe inúmeros resultados positivos ao seu dia a dia, como: resposta rápida a estímulos, sensação de segurança e confiança, além de percepção atenta às pessoas e lugares.
 
Conforme explica a defensora, “a defesa pessoal serve para empoderar as mulheres, fortalecendo seu corpo e mente, preparando-as para defender-se técnica e eficazmente diante de uma violência imediata, usando seu corpo como resistência.” 
 
 
Confira a entrevista abaixo:
 
 
ANADEP - 
Há quanto tempo você é defensora pública? Por que decidiu ingressar na carreira?
Sou defensora pública desde 2005. Meu sonho era ser jornalista e escritora, como meu pai. Minha intenção era ser correspondente internacional em zonas de guerra. Daí, fico pensando: seria isto um começo do defensoriar? Em 1990 entendi que o direito me emponderaria mais para a defesa dos vulnerabilizados do que o jornalismo, e prestei novo vestibular. Me formei em 1995, nas Faculdades Cândido Mendes, no Rio de Janeiro.
Você é adepta aos esportes? Quais já praticou?
Pratico esportes desde a infância. Minha mãe é professora de educação física e sempre nos incentivou. Já pratiquei basquete, natação,  pingue-pongue, alpinismo, jiu-jitsu e capoeira.
 
Você já participou de competições?
Na infância participei de competições e tenho medalhas de ouro nas seguintes modalidades esportivas: pingue-pongue, natação, basquete e jiu-jitsu.
 
Iniciei minha vida nos tatames aos 17 anos, na Academia Osvaldo Alves, Copacabana, Rio de Janeiro. Após alguns meses de treino, participei do primeiro campeonato feminino de jiu- jitsu, realizado em Niterói-RJ, onde obtive duas medalhas de ouro, saindo invicta da competição.
 
Atualmente você faz aulas de defesa pessoal. Porque escolheu essa modalidade?
A técnica de defesa pessoal me foi ensinada juntamente com o jiu-jitsu pelo mestre Osvaldo Alves, no Rio de Janeiro. Voltei aos tatames em 2018, a convite da mestra faixa preta sexto grau de jiu-jitsu, Yvone Duarte, para participar de um projeto incrível de defesa pessoal e rodas de conversa para população LGBTI migrante.
 
A defesa pessoal, somada à minha experiência de mais de nove anos na defesa de mulheres em situação de violência, junto aos 1º e 2º juizados de violência doméstica e familiar contra a mulher, seriam doravante parceiras, utilizadas como forma de salvar vidas vulnerabilizadas mais diretamente!
 
Diversas organizações, inclusive a Defensoria Pública, têm desenvolvido projetos de defesa pessoal para mulheres vítimas de violência. Como você avalia essas iniciativas?
Acho de suma importância que a Defensoria Pública atue a partir de um olhar mais humanizado e interseccionalizado, para além do jurídico, por exemplo, por intermédio dos NUDEM, adotando o ensino contínuo da prática da defesa pessoal, segundo a arte suave do jiu-jitsu, que efetivamente auxilia no empoderamento das mulheres, objetivando salvar suas vidas. Os dados epidêmicos relativos à violência suportada pelas mulheres justificam o aumento da busca por defesa pessoal.
 
Em 2018 participei de um projeto da ONU que aconteceu em Roraima. Na oportunidade, dei aulas de defesa pessoal para mulheres e pessoas LGBTI que deixaram a Venezuela, com o objetivo de diminuir os riscos de violência de gênero ou motivada por questões de orientação sexual. Além disso, tivemos rodas de conversa sobre violência e desigualdades. 
 
A prática te ajuda de alguma forma no seu dia a dia de defensora?
A prática da defesa pessoal e da arte suave do jiu-jitsu em muito fortalece o meu defensoriar: o uso de alavancas, chaves, o uso do peso do outro a seu favor, a força do outro contra ele mesmo, o respeito pela natureza e pelas pessoas humanas, o preparo do corpo e da mente para as batalhas diárias da vida pessoal e profissional.
E, por fim, o que você acha que precisa ser feito para o fortalecimento da Defensoria Pública?
Ampliarmos os diálogos e conhecimentos entre nós, defensoras e defensores públlicos. Padronizarmos nossas atuações estratégicas. Lutarmos para diminuir as disparidades e distanciamento regional. Vencermos nossos próprios limites!
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FONTE: ANADEP

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